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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

arroubos de Florbela




"Aborreço-te muito. Em ti há qualquer cousa
De frio e de gelado, de pérfido e cruel,
Como um orvalho frio no tampo duma lousa
Como em doirada taça algum amargo fel"

Florbela Espanca, excerto de "Confissão"


"Estendo os braços meus! Clamo por ti ainda!"*

nos meus arroubos súbitos de Florbela
louca descontrolada
esbarro no aço das defesas do teu peito

"Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!"*

em silenciosos ecos
que me jorram da boca

                                                      [mas até o silêncio te fere a luz dos olhos]

endureço o sonho, a dor, a raiva
frustrações insensatas
de quem de amor se alimenta
e o come
                                                      até à perpétua (in)satisfação

"Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que te sigo assim como os rafeiros leais"**

_____________________

De Florbela:
*excertos de "Aonde?..."
**excerto de "Quem sabe?!..."


Foto de kalua k krynska