Mostrar mensagens com a etiqueta sombras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sombras. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

azul verde



rastejam animais sem forma
no declive viscoso da realidade
mudam de pele rasgando as entranhas
azuis verdes de sangue
deslizam em oníricas danças
no chão dos salões que construímos
dos restos destroçados de antigas casas
azuis verdes de ilusão

na barra oscilante entre o sono e o sonho
há rios secos
leitos áridos do nosso olhar de sempre
azul verde


foto de B Berenika

sexta-feira, 8 de maio de 2009

se falares hoje acredito



afogada
na deriva do rio espero o sinal
como flor breve à tona de água

se falares hoje acredito nas tuas palavras bóia
salvação encenada sem luz nem magia

foto de B Berenika

terça-feira, 14 de abril de 2009

a água


a água, um fio sobre o lodo, esperando a maré. o céu, nuvem de algodão sujo. cenário de abandono onde um barco não é convite à evasão mas amarra à realidade. por ali deixei fúteis mágoas, amálgama sem préstimo na lama cinza. procurei o equilíbrio na madeira podre do cais. à espera do mar improvável.


foto de mariab - Carrasqueira

sábado, 21 de março de 2009

estes tempos




Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Sophia de Mello Breyner Andresen, excerto de "Data"



levanto os olhos para lá dos muros
que se erguem
em cada dia espero a luz na hora certa

mostras-me lama e sei que a razão
reside em ti
dizem-me os céus prenhes de agoiros

pois sejam os meus dedos a clara fúria
de mil rios
de ti não aprendo a vida sem esperança!


foto de Nathan Thomas Jones

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

o decifrar das sombras



quando acordo vejo-me
nos ilusórios espelhos de todas as paredes.
serei uma das sombras esfumadas
na luz onírica da madrugada?
com estranhos orifícios de ver sons
tacteio tudo o que dizem os reflexos
sem cor.
decifro-me nos cantos escondidos
e estranho-te em cada raio de luz.
devagar a crua iluminação do dia
compõe partes de mim quebradas
espalhadas no lençol
respiro a realidade oculta
despeço(me) (d)a tua ausência.


Foto de Rafal Bednarz