algures neste planaltoalguém chora de abandono
um outro morre de fome
ou de doença já extinta
uma tristeza se espalha
uniforme indistinta
algures entre ti e mim
seca um dia a emoção
o bem-querer por crer tanto
que somos um mar sem fim
de desejo ou de tesão
como te parecer melhor
e quando nos damos conta
já alguém chora de dor
versos de incerto rimar
entre as vagas da paixão
e a doce maré de amar
que espalho de ponta a ponta
foto de Joannès Ceyrat

