Mostrar mensagens com a etiqueta libertação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta libertação. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de agosto de 2009

a montanha

o chão é agora uma amálgama de destroços. sangram os pés descalços. ardem os olhos abertos para os mundos que se degradam. que sabem os homens a quem não incomoda o ar fétido? surdos para a essência, nunca ouvirão o som da flauta. o inequívoco anúncio doutros céus que paira sobre a peste das cidades. escutarão apenas um incómodo zumbido. nunca farão o sacrifício do sangue sobre as pedras do solo. nunca subirão à montanha.


foto de Sam

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

o silêncio dos rios


não me digas de urbanos desertos
onde secam todos os poros
à superfície da pele
eu bebo o silêncio dos rios que se alongam
sem pressa
e sacio a fome no canto dos pássaros
no cristal frio de cada madrugada.


foto de Chuck Gordon

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

e dele as folhas...


não é este o tempo de tentar ver para além da árvore. concentro-me no verde que tapa o horizonte. na gota de chuva que pende da folha. não é este o tempo de voar para lá da árvore. as asas estão presas à terra por fios leves, leves… pensei que podia quebrá-los. têm a firmeza do pensamento. só se quebrarão quando se dissolverem no húmus antigo. dele brotará um novo tronco de mim. e dele as folhas. e dele a libertação das asas. para lá da árvore.


foto de Darius Klimczack


----------------------------------------



[Agradeço a amizade e a gentileza da Hercília Fernandes. Este prémio é para todos os amigos que me visitam. Obrigada.]