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domingo, 21 de junho de 2009

dor de olhos baços



doem-me as cidades de pedra em que as borboletas não poisam. o silêncio intacto sem ecos do zonzo canto de cigarras. o pó que não saiu do ventre da terra. dói-me a certeza das noites de lua perdida entre paredes imóveis. os gritos dos olhos baços peixes em aquário seco. dói-me este gemido da vida em cada músculo do corpo. faço-me ponte de rios inexistentes. para que eles sejam. para que eu possa ser.

foto de Vincenzo Basile

terça-feira, 16 de junho de 2009

senhora de muitos destinos



quero subir à torre e tocar o céu
dos deuses antigos
pairar imortal sobre a rota das águias
ser incerta e impetuosa como o vento
desmanchar a copa das árvores
e decidir o caminho das nuvens

ser senhora de muitos destinos
multiplicar vidas em voos sem fim
se não fora a certeza da queda
saber nas pedras a imagem de mim


Centum Cellas, foto de mariab

sábado, 16 de maio de 2009

ponto


nem a pomba que espreita lá fora sabe dizer os caminhos em que os pés sangram. imperfeitos, sempre. damos até a pele esfolada em troca do horizonte irreal a que chamamos felicidade. incompletos, diria. procurando utopias sem as quais somos vazios. vamos perdendo o fôlego na corrida para o inatingível. até um dia que julgamos sempre longínquo. o dia em que perdemos o fôlego. ponto.


foto de Adam Orzechowski