quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

princípio e fim


que novas me dás das cidades
onde a luz se pôs de madrugada?
o que me dizes das horas pardas
em que nos perdemos
para lá do portal da distância?

digo-te em verdade que a luz entrará
quando tudo não for mais que a cinza
despojada de nós
que o sopro insano do vento transporta
onde seremos para sempre princípio e fim
ancorados na orla do tempo


foto de hakim talbi

17 comentários:

  1. Uma excelente resposta a duas inquietantes perguntas.

    ResponderEliminar
  2. E segredou-lhe em jeito de verso: "Estamos vazios de nós, meu amor. As ruas cheiram a pó e a estrada desfaz-se no tempo. O horizonte cobre-nos com o seu manto de fantasma feito sonho. E nada voltará ao seu lugar nesta canção." Ela, levantou os olhos a medo, apertou-lhe a mão e fez-se rio. As águas transbordaram-se pelos corpos afogando tudo à passagem. Nem uma janela escapou. E a morte se anunciou num tapete de sangue estendido à passagem dos peregrinos do amor. "Não vás...", pediu. "Não aguento mais uma história." E foi-se mesmo.

    ResponderEliminar
  3. gostei do que vi e li
    parabens pelo trabalho
    boa semana
    beijinhos
    Carla

    ResponderEliminar
  4. Belo, Mariab.

    "... a luz entrará
    quando tudo não for mais que a cinza
    despojada de nós".

    Lindo!

    Beijos,
    H.F.

    ResponderEliminar
  5. ... a madrugada é a orla do tempo, varrida de cinzas pelo vento, para que as horas em que, voluntariamente, nos perdemos, nos mostrem o princípio de novas cidades e o fim de novos dias... nossos

    ResponderEliminar
  6. Poesia quase gótica, muito bonita. Além da sintonia perfeita com a fotografia, por sinal, excelente, me lembrou o filme Metropolis, de Fritz Lang.
    Um beijo!

    ResponderEliminar
  7. "princípio e fim
    ancorados na orla do tempo"

    É, de facto, aquilo que somos.

    Cumprimentos meus.

    ResponderEliminar
  8. "digo-te em verdade que a luz entrará
    quando tudo não for mais que a cinza"

    Estou precisando dessa luz!

    Um beijo carinhoso

    ResponderEliminar
  9. Vou lhe ser sincero, Mariab.

    Dos blogs que leio, a tua poesia é a que mais me toca. Você dialoga, conversa plenamente comigo.

    Agradeço por existir.
    Um carinho.

    Continuemos...

    ResponderEliminar
  10. "(...) ancorados na orla do tempo"
    aguardam os párias da ilusão.

    olham os ventos de água
    no etéreo das correntes de luz.
    e pressentem o artificial nas estruturas que fazem os aglomerados,
    onde o rasto alimenta o caminho para os déspotas da igualdade.

    em todo o lado existe luz!
    mesmo onde não se vê.
    o tempo é maior do que o tempo humano!

    e aí reside o Criador.

    Mariab,
    obrigado.

    Vicente

    ResponderEliminar
  11. poesia é (também) Utopia, dizem-me velhos alfarrábios...

    gosto particularmente do registo poético. e da cadência musical das palvras.

    admiravel Poema.

    ResponderEliminar
  12. Passei para apreciar novamente...
    Uma bela semana para o seu rico coração!

    Um beijo com meu carinho

    ResponderEliminar
  13. e,para lá do portal da distância?

    cinza sem princípio e fim?

    para sempre...

    ResponderEliminar
  14. "que novas me dás das cidades
    onde a luz se pôs de madrugada?"
    Que belo poema!
    Beijos.

    ResponderEliminar
  15. há caves e ninhos

    nas cidades

    onde aços e lãs

    ( mais aços,



    beijo




    ~

    ResponderEliminar

Aqui disse de mim. Diz tu também...